A chuva te convida a pensar, a lembrar.
Ela te encurrala, te deixa ilhado.
Te afasta, te aproxima.
Te magoa, te faz celebrar.
Caminhando pela rua, ela resolve cair.
Quando abrigo.
Quando fazendo piada e brincando.
Quando cantando.
Quando toca o telefone.
Quando um sorriso vira e dá lugar a decepção.
Então sim a chuva se transforma em chuvisco.
Então sem jeito.
Então sem mais ventos, mesmo assim com frio.
Um frio diferente.
Um frio que corta por dentro.
“Consegue ver agora?”
Então deixada em lugar seguro.
Não consegue ficar, nem esperar.
Pensa em fugir. E consegue.
Consegue sol.
Consegue chegar finalmente em casa. Nunca pareceu tão distante.
Finalmente seguro.
Se esconde e pensa.
Então começa a chover de novo.
Só que essa chuva não vem do céu.
Vem de dentro.
Vaza pelos olhos.
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