domingo, 19 de fevereiro de 2012

Entre medos (d)e verdades

Ele cresceu só. Sempre ficava só. Por opção, talvez. Não tenho certeza, mas ainda hoje acho que ele vive sem ter alguém que seja seu.

O mundo é um grande e confuso oceano. Não se tem certeza de seu fim, não se pode ver. “Isso é seguro?” – ele se pergunta.

A cabeça cheia de desejos, sonhos e vontades. O medo é bem maior. Arriscar faz parte de seus desejos, mas o medo não permite. É muito complicado. Depende de tanta coisa. Implica em poder se machucar. Isso ele não queria. Não de novo.

Talvez nem sempre ele fosse sozinho. Já deve ter tido uma ou outra pessoa em sua vida, só não tem certeza. Ele sempre se cobra tanto em tudo. Mesmo não sendo perfeccionista. Não busca o grande amor. Mas quer algo a mais. E onde está esse algo a mais? Em seus sonhos.

Ele tem dúvidas sobre praticamente tudo. Nada é certo em sua cabeça. Mas se lhe perguntam: “é isso mesmo?” Sem pensar direito busca a resposta mais aceitável. Resposta essa que nem sempre é verdade. Ele tem medo, acho.

Desde muito tempo tem uma grande questão em sua cabeça sobre ele mesmo. “Será? É isso mesmo que quero?” Tem a chance de a resposta ser sim, mas ele não arrisca. Tem medo. Não deveria ter, mas nega suas vontades, oprime seus desejos, se perde em seus pensamentos. Confusão. Nem, ao menos, a coragem de dizer o que é ele tem. Acredite, já insisti no assunto. Dúvidas.

Ele já me disse que queria algo distante, que ninguém soubesse a verdade, que desse pra guardar só pra ele. Ele ainda procura esse algo distante. Mas não de verdade. Só em seus sonhos.

Queria ter certeza. Queria afirmar que não. Ou confirmar que sim. Nem isso. Não tem certeza. Não tem confiança. Porque seu medo esconde sua verdade.

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