sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sinais

Recebo impressões colhidas pelos sentidos.
Ou, talvez, algo além deles: o que justifica a pré-concepção do belo?
Enxergar o outro, de alguma forma a pressentir o seu natural,
por trás de quaisquer sorrisos de um mero contato inicial,
carece explicação.
O outro não é genuíno, muito menos a princípio.
Penso que alguma coisa em mim examina mais que a sua representação.
Pressinto o desagrado, o ignorado,
o aconselhável, o aprendizado, o contemplado.
Generalizadamente, o memoriável.
Alguns corpos produzem calor e luz: ardem por encontro.
E supõem mais que compensação, sustentam a leveza do existir.
Olhos, bocas e vozes: chaves.
Tudo se mostra tão claro: os presságios habitam meus pensamentos,
apropriam-se do meu comportamento
e, deliberamente, brincam de fixação.

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