Na ultima quarta-feira, ao chegar a Av. Frei Serafim, em frente ao Bom Preço, me deparo com um aglomerado de pessoas cantando, pulando e gritando palavras de ordem. A beleza da união de pessoas de diferentes classes sociais, estudantes, trabalhadores, desempregados; me cativou. A esperança fez meus olhos transbordarem.
Acompanhada de amigos, resolvi participar (mais uma vez) daquela caminhada. A imposição de um aumento do preço da passagem de ônibus e uma integração de mentira, não intimidaram a população de Teresina. Lutando por seus direitos, contra o conformismo e as críticas de muitos, a Frei Serafim ganhou forma de democracia.
A cada passo que dava no meio daquela multidão mais me emocionava ao ver a coragem de muitos e, mais sentia medo ao ver o cerco policial. O histórico do protesto #contraoaumentoTHE mostrava que estar ali, mesmo e principalmente por causa da concentração de policiais, não era um lugar nem um pouco seguro.
A marcha do povo era seguida de perto pela marcha sincronizada e alerta dos policiais. Apenas uma faixa separava a força do povo da força dos repressores. Enquanto caminhávamos, cantávamos e chamávamos a população para dar volume aquela causa, PMs nos seguiam de perto e montavam barreiras nas ruas que davam acesso a Frei.
Um susto: me sentir envolvida pela multidão, olhar para o lado e perceber que cerca de cinqüenta policiais estão em guarda do meu lado direito, a cavalaria do meu lado esquerdo, um carro com sirene ligada vindo logo atrás de mim e motos com policiais vão na minha frente. Estou cercada!
Aquele já era o oitavo dia de manifestação. Durante esses dias, muitos manifestantes foram agredidos com balas de borracha, spray de pimenta e arrastados pela avenida. Além de agredidos, alguns ainda foram detidos. Esses eram os “presos políticos”, como os manifestantes os chamavam.
Meu receio era que além de ser agredida por aqueles que deveriam me proteger, também era que aquela multidão perdesse o controle. A maior parte dos que estavam ali, queriam ser ouvidos pelas autoridades. Mas, como também foi de conhecimento de muitos (já que foi praticamente só isso que a grande mídia divulgou) existiam entre os manifestantes, aqueles que estavam ali apenas para “farrear”, para depredar, para manchar a imagem de uma manifestação séria.
Por conta de alguns acontecimentos que fugiram ao controle, como foi o caso de incendiarem um ônibus, me perguntei se aquilo estava certo. Qual é o limite do certo e do errado? Como fazer pra chamar a atenção do prefeito? Então, escrevi isso:
Não consigo entender o ponto de vista de quem está criticando o #contraoaumentoTHE. Enquanto existem pessoas que vão às ruas lutar por um preço justo e uma integração decente, tem quem só saiba reclamar, porque, simplesmente, ta incomodado com os protestos. evo então pagar pelo preço injusto desse comodismo? Eu já pensei em criticar por terem queimado um ônibus, mas o que mais deve ser feito pra chamar a atenção pra esse aumento injusto? Já tentaram dialogar, mostrar que essa "integração" não está integrando nada. E qual foi a resposta? Agressões, spray de pimenta, prisões...
Em cidades maiores que Teresina a integração é feita por um preço menor e de forma mais eficiente, com mais tempo e mais opções de ônibus.
Os empresário pedem menos impostos pra poder valer a pena (pra eles) diminuir o preço da passagem. Querem mais lucro do que já ganham? Concordo que os impostos cobrados em nosso país são abusivos. Mas porque só o povo tem que sofrer com eles? Os empresários precisam ter os seus direitos garantidos sem precisar pegar sol, é tudo garantido nas salas com ar-condicionado da forma mais escondida e confortável possível. O povo que vai às ruas lutar por seus direito é visto e tratado como bandido. Vai entender...
Ainda queremos ter voz. Enquanto conseguir gritar, mesmo que rouca, gritarei por meus direitos.
#contraoaumentoTHE
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