Eu só queria saber quanto tempo é um tempo. O tempo de um abraço. O tempo de um adeus. O tempo de um sorriso. O tempo da saudade. O tempo do seu tempo.
A distância tem sua origem no tempo e daí surge a saudade. Eu tenho certeza!
É só contar: quanto mais tempo, mais distante, mais sinto falta.
Eu não sei quanto tempo faz. Só sei que não passou. Só sei que não está perto. Não alcanço.
Isso parece ter me deixado transparente. Tão óbvia. Nós somos menos misteriosos do que pensamos.
Eu te garanto que estou mais velha agora. Quando me olho no espelho, é incrível como estou diferente. Amadureci. Aprendi errando. E errei muito. Até perceber que sou experiente o bastante pra dizer que o mundo é um engano. Que nada é certo e que eu posso estar errada.
Nada é fácil, nada é sagrado. Por quê? Por onde devemos começar?
Você tem que sofrer para poder se lembrar. As vitórias parecem menos marcantes que as derrotas. O afago de um abraço se perde mais fácil na memória do que a dor de um machucado.
Eu vou vencer algum dia? Apenas o tempo dirá.
Talvez eu tenha perdido muito tempo ultimamente. Sempre parece faltar algo. Quem sabe eu tenha sonhado alto demais. E, mesmo assim, mantenho segredos no meu travesseiro. Esses são mais confusos e distantes.
Perco-me em pensamentos. Confundo lembrança com sonho. Já faz tanto tempo que talvez nem seja verdade. Uma fantasia, provavelmente.
Nem mesmo o tempo consegue resolver o que fazer, e fica pulando de um acontecimento ridículo para outro. Confundindo-me mais ainda. Como se achasse pouco.

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