Seria possível escrever/descrever um sentimento? Algo tão subjetivo pode transpor qualquer interior, mais escuro e deserto que aparente ser, em um simples papel?
O amor parece ser um sentimento comum. O ódio parece nos acompanhar e esperar qualquer brecha para aparecer. Mesmo assim, controlar o ódio aparenta ser mais fácil do que controlar o amor, até mesmo o amor próprio.
Amar alguém sempre me soou como doação, se doar a alguém. Mas nem sempre vem acompanhado do desejo. Desejo talvez seja um outro sentimento parasita, que espera um amor ou um ódio forte o bastante para se instalar. Desejo ter amor, assim como desejo não te odiar tanto assim.
Exteriorizar torna o amar banal. Senti-lo é tão mais significativo do que prová-lo. Quando interno, preenche espaço, mal cabe no peito. Quando externo, soa como um sopro, da boca pra fora. Porque amar nunca parece ser o suficiente para o ser amado. Nem mesmo pra mim.
Se amar e amado ser é o clímax da vida, o medo de amar vem da esperança de viver mais? Ou de se machucar menos?
Eu quero me permitir amar mais. Mais de um só. Quero amar de maneiras diferentes um só alguém. Quero viver pra amar e em troca ser amada pra poder enfim viver.
O coração foi o eleito para tudo sentir. Eu sempre senti tudo na pele. Mas nunca me considerei de coração vazio. Muito pelo contrário, ele sempre demonstrou na sua cor mais rubra o sentimento sentido na pele.
Tanto quanto amar quero ser correspondida. Te amo, meu amor.
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